domingo, 28 de fevereiro de 2016

Uma planta? Mas... isso não é o que nasce na terra??

Depois de recebermos a correspondência, começámos a organizar e planear o que vamos enviar.

Na carta, os correspondentes falaram-nos na sua sala: o que tinham e o que faziam lá.
"Eles têm as mesmas áreas do que nós."(G)
"A sala deles deve ser como a nossa."(Jo)
"Podíamos mandar o desenho da nossa sala para eles ficarem a conhecer a nossa sala."(J e C)

Combinámos começar por desenhar as áreas da sala.


E agora?
"É difícil... não sei. Nunca tinha feito um trabalho destes." (L)
Fomos pesquisar para saber como se podia fazer um desenho de uma sala. Descobrimos que os arquitetos "são pessoas que desenham casas e as partes das casas, desenham o sitio das portas e das janelas e depois mostram às pessoas que as vão construir."(C). Descobrimos, ainda, que a isso se chama uma planta. 
"Planta? Mas... isso não é o que nasce na terra?"(B).
Com a ajuda do dicionário, descobrimos que o B tinha razão mas que planta também é o desenho técnico de uma construção feito por um arquiteto.
"Ah... quer dizer duas coisas!"(B)
E acabámos por descobrir que há outras palavras que também têm dois significados.

Com o apoio da planta de uma casa, feita por um arquiteto, construímos a planta da nossa sala...



Escrevemos o nome das áreas "porque o arquiteto também escreve o nome das partes das casas"(L)



Na comunicação, mostrámos a planta da nossa sala pronta e explicámos o que tínhamos descoberto sobre o trabalho de um arquiteto e sobre as palavras homónimas, ou seja "palavras que são iguais mas que querem dizer coisas diferentes." (C).


Como nos diz Sérgio Niza (2005), "É preciso, fundamentalmente, que na escola o conhecimento não se separe das práticas sociais de apropriação da cultura." Passo a passo, acredito que estamos a construir cultura.

A correspondência

Recebemos a correspondência "dos meninos que estão no Alentejo" e estivemos a ler a carta que eles nos escreveram.
"Também temos de escrever a carta para eles"(Jo)
"Pois porque uma carta é um papel que escrevemos quando queremos dizer ou contar coisas que nos aconteceram a pessoas que estão longe de nós"(C e B)

Acredito, tal como Margarida Alves Martins, que "a aprendizagem da escrita é feita pela prática efetiva da escrita, (...) aprende-se a escrever, escrevendo.". Assim, combinámos que no tempo de reflexão sobre a escrita iríamos escrever a carta.

"Tens de escrever tu Adelaide, porque nós só sabemos escrever aquela escrita que só nós é que lemos"(L)
"Nós dizemos o que queremos contar e tu escreves." (R)
Tal como negociado anteriormente, fomos refletir em como se escrevia uma carta e o que queríamos lá escrever:
"Temos de escrever a data para eles saberem quando é que escrevemos" (J)
"Depois dizemos olá ou como estão."(C)
"E depois vamos contando o que aconteceu na nossa sala."(B)
"No fim dizemos adeus."(Le)
"E assinamos, escrevemos o nosso nome para saberem que fomos nós que escrevemos."(L)

A partir desta conversa, escrevemos a carta e ilustrámos "para os nossos correspondentes do Alentejo poderem ler o que nós dissemos à Adelaide para escrever." (vários).


A escrita em grupo exige, por parte das crianças envolvidas, a capacidade de explicitar e negociar, não só o que se vai dizer, como o modo como se vai pôr esse significado em palavras. Este processo promove o desenvolvimento de capacidades sociais nas crianças, pois estas terão de ter em conta a opinião dos outros, mas promove também o desenvolvimento de capacidades textuais, pois gradualmente tomarão consciência dos processos linguísticos envolvidos na escrita de um texto.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A Hora da História

Esta semana estivemos a ouvir a história Como Apanhar uma Estrela, de Oliver Jeffers.


"É parecido com o outro livro que temos na biblioteca." (RO)
"Se calhar, é outra aventura que esse meninos teve" (M)

Fomos procurar qual era o outro livro parecido com este e comparámos os dois.
"É o Sobe e Desce" (L)

Observámos a capa do livro.
Descobrimos que o título da duas histórias era diferente "porque são histórias diferentes" (J), mas as ilustrações eram iguais "porque o senhor que escreveu as histórias e que fez as ilustrações é o mesmo. Sabem como é que eu sei? Porque aqui  (apontando para Oliver Jeffers) este é o nome dele e é igual nos dois livros."(B). O autor/ilustrador era o mesmo "e é por isso as ilustrações são parecidas. É a maneira dele desenhar" (L)


Combinámos saber mais sobre este autor/ilustrador, sobre a sua vida e sobre a sua obra. Depois, vamos dando noticias do que fizemos


O que é impermeável?

Para dar resposta a uma pergunta dos nossos correspondentes, estamos a fazer um projeto sobre a origem do plástico.
"O plástco vem do petróleo porque eu estive a procurar no computador com o meu pai e ele contou-me." (L)
Durante a investigação, descobrimos que o plástico é um material impermeável pois não deixa passar a água. Combinámos fazer uma experiência para descobrirmos materiais permeáveis e impermeáveis. Escolhemos alguns que estavam na nossa sala e fizemos a experiência. Durante esta, fomos registando o que fazíamos.




No final, registámos todo o processo e o que descobrimos.



"O plástico e a borracha não deixaram a água pingar para o copo." (JO)
"Mas o tecido, a lã e o papel deixaram e o copo ficou com água." (R)

É importante as crianças perceberem que a ciência existe em tudo o que nos rodeia e em todos os materiais que manipulamos quotidianamente. Temos, progressivamente, de nos tornarmos cidadãos cientificamente cultos, de modo a sabermos observar e analisar criticamente o que acontece à nossa volta.

Somos mais... ou menos??

Esta semana recebemos a carta dos nossos correspondentes do Alentejo.
Estivemos a ler a carta e a ver o que nos tinham enviado.
"Olha, mandaram-nos os retratos deles. São tantos"(J)
"São muitos lá na sala deles. Quantos são?"(I)
"Eu acho que nós somos mais"(B)
Decidimos descobrir e combinamos como.
"Contamos os retratos deles e depois contamos os nossos retratos e ficamos a saber se somos mais do que eles ou menos."(C e L).
Primeiro, fizemos os nossos retratos...


Depois, fizemos os retratos deles...


E agora?
"Agora contamos os nossos retratos e depois os retratos deles e depois ficamos a saber onde é que há mais meninos" (L)
"Podemos colar enquanto contamos. Colamos um dos nossos retratos e um dos deles." (N)


Por fim descobrimos que somos mais do que eles!
"Na nossa sala há 21 meninos e meninas." (C e J)
"E na sala deles, no Alentejo, só há 14." (L)

As atividades matemáticas têm um papel relevante na estruturação do pensamento da criança. "As crianças vão construindo(...) os conceitos matemáticos na sua vivência do dia a dia(...)" cabendo ao educador propor "(...) a realização de tarefas adequadas, procurando levá-las a um esforço subsequente de reflexão", sempre numa perspetiva de resolução de problemas, "com uma atitude investigativa e uma capacidade critica". (in, Emergência da Matemática no Jardim-de-Infância, Porto Editora, 1997).

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O que é uma conferência??

Outro projeto a acontecer na sala era o do universo. O que era o universo?

Fizemos muitas pesquisas e descobertas, registámos essas descobertas que partilhámos com os outros colegas da sala. Essas partilhas no momento das comunicações deram origem a novas perguntas, a novas pesquisas e novas descobertas. E assim, passo a passo, concluímos o projeto.

"Podemos comunicar aos meninos da sala 1" (L)
"Vamos contar o que aprendemos sobre o universo" (B e J)

Preparámos a comunicação: o que vamos comunicar e como vamos apresentar.

Combinámos quem faria a comunicação e o que iria dizer.
"E se nos esquecermos do que temos para dizer?" (L)
"Podíamos escrever numa folha e desenhar e depois ler."(J)

"Agora temos de fazer um universo. Com as galáxias e as estrelas e o sistema solar." (vários)
"Para eles perceberem bem o que estamos a explicar" (B)


Combinámos o dia e o local para a comunicação e decidimos construir um cartaz para divulgar.

"Temos de dizer que é uma comunicação especial. Não é como as que fazemos aqui na sala. Esta é especial porque fizemos coisas só para esta apresentação" (I e B)
"Uma comunicação assim especial é uma comunicação ou tem um outro nome? Podíamos procurar no dicionário." (B)
Fomos pesquisar e descobrimos que os cientistas e investigadores, quando fazem uma comunicação com materiais de apoio e com preparação anterior, lhe chamam uma conferência.
"Então é isso que vamos fazer: uma conferência!!" (B)


 E foi o que aconteceu...




Estes momentos de partilha de saberes permite a apropriação pelo grupo do que alguns pesquisaram e descobriram. Para as crianças que comunicam, este é um momento fundamental para organizarem o pensamento e as aprendizagens, para tomarem consciência do que sabem, para adequarem a sua linguagem de modo a que esta seja clara para quem os está a ouvir, para aumentarem o seu léxico vocabular e para tomarem consciência de que têm um papel importante nas aprendizagens dos outros. Para quem assiste à comunicação, este é um momento para compreenderem a importância de ouvir os outros, para aprenderem a questionar adequadamente e para ficarem curiosos sobre o tema, querendo saber mais. Nesta dinâmica, assenta a motivação para aprender.

Um Bailado!?!?!


A nossa exposição foi inaugurada. Fomos fazer uma visita para ver se faltava alguma coisa. Avaliámos o que tínhamos feito, como tinha sido feito e o que tínhamos aprendido.

"O Ballet é uma dança difícil e precisa de muito tempo a treinar" (J e L)
"Eu gosto mais do moderno do que o clássico. Gostava de fazer um bailado!" (B)
"Podíamos fazer um? Podemos fazer um bailado!!" (vários)

Fomos ver o que precisávamos para um bailado.

"Um bailado conta uma história: a Bela Adormecida, o Pedro e o Lobo, o Lago dos Cisnes. Todos têm uma história." (J e B)

Decidimos que poderiamos de fazer a história do Cuquedo, que tínhamos ouvido na semana anterior.

"Mas precisamos de fatos para saberem quem são as personagens." (S)
"Nos bailados também há fatos. E podemos dançar descalços ou em meias, como os bailarinos." (L)

Fomos pesquisar sobre os fatos dos bailados. Descobrimos que são figurinos e que quem os desenha são os figurinistas. E começámos por combinar quem seriam os nossos figurinistas e estes desenharam os figurinos.



"Mas ainda falta o cenários e os ensaios da dança" (vários)

Assim, passo a passo, vamos organizando um bailado....